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Simples Nacional9 min de leitura

Simples Nacional ou Lucro Presumido: como comparar de verdade

Bases de cálculo, custo de conformidade, folha e o efeito no bolso do sócio. O que olhar antes de escolher entre Simples e Presumido — além da alíquota nominal.

A comparação entre Simples Nacional e Lucro Presumido costuma ser feita olhando duas alíquotas lado a lado. É por isso que ela erra tanto: os dois regimes cobram sobre bases diferentes, com obrigações diferentes e efeitos diferentes na pessoa física do sócio.

O que cada regime realmente cobra

No Simples Nacional, a empresa recolhe em guia única, com alíquota efetiva que sobe conforme a receita bruta acumulada em 12 meses. Nessa guia estão IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP e, conforme a atividade, ICMS ou ISS.

No Lucro Presumido, cada tributo tem vida própria. O IRPJ e a CSLL incidem sobre uma margem presumida pela lei, não sobre o lucro real da empresa. PIS e Cofins são cumulativos, e o ISS ou ICMS é recolhido à parte.

AspectoSimples NacionalLucro Presumido
Limite de receitaR$ 4,8 milhões em 12 mesesR$ 78 milhões no ano
RecolhimentoGuia única (DAS)Tributos separados, com prazos distintos
Base do IRPJ e CSLLDentro da alíquota da faixaPresunção sobre a receita, tipicamente 32% em serviços e 8% em comércio
PIS e CofinsDentro da guiaCumulativos, 0,65% e 3%
FolhaCPP na guia nos anexos I a IIICota patronal de 20% sobre a folha
Obrigações acessóriasMenos numerosasMais numerosas, incluindo ECD e ECF

Em resumo: o Simples troca custo por simplicidade; o Presumido troca complexidade por previsibilidade de base.

Quando o Presumido costuma vencer

O Lucro Presumido tende a ficar competitivo quando a margem real da empresa é maior que a presunção legal e quando a folha é pequena em relação à receita.

Uma empresa de serviços com margem alta e equipe enxuta paga IRPJ e CSLL sobre 32% da receita, independentemente de ter lucrado 50%. Se a operação lucra bem acima da presunção, o regime funciona a favor.

  • Margem real acima da presunção legal da atividade
  • Folha pequena, o que reduz o peso da cota patronal de 20%
  • Receita já em faixas superiores do Simples, onde a alíquota efetiva subiu
  • Atividade no Anexo V sem folha suficiente para atingir o Fator R

Quando o Simples costuma vencer

O Simples costuma ganhar em empresas com folha relevante, margem apertada ou receita ainda nas primeiras faixas — e quase sempre ganha em custo de conformidade.

Vale lembrar que o custo de conformidade é dinheiro. Mais obrigações acessórias significam mais honorários, mais risco de multa por atraso e mais tempo da equipe.

  • Folha relevante, sobretudo com Fator R acima de 28% levando ao Anexo III
  • Margem apertada, em que a presunção cobraria imposto sobre lucro inexistente
  • Receita nas faixas iniciais, com alíquota efetiva baixa
  • Operação enxuta que não quer arcar com ECD, ECF e obrigações mensais adicionais

Em resumo: margem menor que a presunção legal é o sinal mais forte a favor do Simples.

O fator esquecido: o sócio

A comparação costuma parar na pessoa jurídica, mas o dinheiro só chega ao sócio depois. A forma de retirada muda o resultado final: pró-labore é tributado, distribuição de lucros com escrituração regular é isenta.

No Lucro Presumido, a distribuição isenta sem escrituração contábil fica limitada à base presumida menos os tributos. Com contabilidade regular, é possível distribuir o lucro efetivamente apurado. Empresas que ignoram isso pagam imposto que não precisavam pagar.

Em resumo: compare o custo até o bolso do sócio, não até o CNPJ.

Perguntas frequentes

Qual regime é mais barato para prestador de serviço?

Não há resposta única. Prestadores no Anexo V com folha baixa frequentemente pagam menos no Lucro Presumido. Os mesmos prestadores, ao atingirem Fator R de 28% e migrarem para o Anexo III, costumam pagar menos no Simples. A variável decisiva é a folha em relação à receita.

Lucro Presumido obriga a entregar ECD?

O Lucro Presumido tem obrigações acessórias mais numerosas que o Simples, incluindo a ECF e, em várias situações, a ECD — especialmente quando a empresa quer distribuir lucros acima da base presumida com respaldo contábil.

Posso simular os dois regimes antes de decidir?

Sim, e deveria ser obrigatório antes de qualquer opção. A simulação precisa usar receita e folha dos últimos 12 meses e projetar os 12 seguintes, porque a opção vale para o ano-calendário inteiro.

Próximo passo

Para comparar os dois cenários com os seus números e sem achismo, conheça o planejamento tributário da Phinan.

A Phinan resolve isso na prática

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